terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

“por que será que o amor é imensamente mais rico do que qualquer outra possibilidade humana?”


Finalmente morávamos numa casa com o enorme quintal que sempre sonhamos: as árvores, os bancos de pedra, pássaros, canteiros de flores, longas aléas. Nosso estado de espírito era de festa, os amigos vieram, muitos se beijavam embaixo da chuva, cada um caminhava a seu belprazer (também fazia sol) entregando-se à vida; ninguém tinha medo do dia de amanhã, a quizomba foi virando quizumba e a função atravessou a madrugada. Era um desses palacetes antigos como havia na Consolação ou, talvez, na Doutor Arnaldo. Dizíamos um para o outro, “que sorte temos”. Alguns amigos precisavam voltar para casa e os acompanhamos até o Metrô; enquanto trancava os portões gigantescos da casa, irritei-me com um idiota que assustava uma moça no ponto de ônibus. Brincadeira besta. Não sei bem porquê, mas embarcamos com nossos convidados durante um trecho da viagem. Descemos numa estação para a qual uma única porta do vagão se abria, nela descobrimos uma construção subterrânea, como se fosse uma plataforma ou túnel inacabado. Andamos fazendo curvas por um chão de terra até que acabou o caminho, ao voltar, percebi que a entrada por onde a gente tinha descido do trem não ia se abrir de novo. Você me disse calmamente: “não se preocupe comigo, tenho mais sonhos que arrependimentos”.




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